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quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Apólogo com véu de alegoria

o amor é maluco
disse à faca o eunuco

o espaço? um abuso
disse à grade o recluso

como ajuda a fé! 
disse o tapete ao pé

eis o nosso porto
disseram vivo e morto

(José Paulo Paes. Livro: "Meia Palavra" (1973). 
In Poesia Completa. Companhia das Letras, 2008. p.197)

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Prótese cardíaca

Às vezes precisamos de um coração maior do que aquele com que nascemos. É a utilidade da poesia: ser prótese cardíaca
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Os intelectuais são seres que sofrem com a cabeça,
e pensam com o coração
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O chá no copo
Os quilos no corpo
O olho no olho

Amigo sincero:
na mão espalmada,
a flor tatuada

As canoas seguem o rio,
o rio segue oceano
oceano segue oceano

Conhecidos novos:
máscara facial,
de tédio real

Amante antigo
Bitoca frôxa
Orelha rôxa

Opinião socialista:
escorrega dos lábios
do arrivista

(Hai kais que resolveram escorregar de meu baú)

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