Saiu, finalmente, o Dossiê Vigotski que venho organizando há dois anos:
Nele, apresenta-se a primeira tradução direta ao português da conferência Probliema sriedi v pedologuii ou "A questão do meio na pedologia", proferida por Lev Semionovich Vigotski entre 1933-1934 (mais provavelmente 1933). Trata-se da única conferência dos "Fundamentos de pedologia" que veio à luz no Ocidente.
Apenas uma retificação: como o Dossiê Vigotski demorou muito tramitando na Psicologia USP, gostaria de ressaltar que há uma informação desatualizada em minha apresentação: a última publicação de Vigotski no Brasil não foi "A construção do pensamento e da linguagem" (2001), mas sim uma tradução de Zoia Prestes da "Imaginação e criação na infância" (2009).
A tradução, que foi financiada pelo Instituto de Psicologia da USP, é acompanhada de 4 textos de comentário. Confira no link: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_issuetoc&pid=0103-656420100004&lng=pt&nrm=iso
Psicologia, educação, política, literatura, cinema e outras idéias e opiniões que podem não ter conexão entre si. Tipo a Gisela.
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
Caso Rosângela Justino
Acompanhe o resumo do caso Rosângela Justino, punida com censura pública pelo CFP, no verbete do Wikipedia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Caso_Rozangela_Justino.
Matéria da Folha traz detalhes do "tratamento" proporcionado por Rozangela: http://www.agenciaaids.com.br/noticias-resultado.asp?Codigo=12606
---
Notem o discurso paranóide e a completa carência de fundamentação científica do discurso da psicóloga na matéria da Folha.
domingo, 20 de fevereiro de 2011
De como não tivemos origem monogâmica...
"The theory of a natural development of society from the family was first elaborated by Aristotle, but it goes back in its fundamental idea to legend and myth. Peoples frequently trace their origin to an original pair of ancestors. From a single marriage union is derived the single tribe, and then, through a further extension of this idea, the whole of mankind. The legend of an original ancestral pair, however, is not to be found beyond the limits of the monogamous family. Thus, it is apparently a projection of monogamous marriage into the past, into the beginnings of a race, a tribe, or of a mankind. Wherever, therefore, monogamous marriage is not firmly established, legend accounts for the origin of men and peoples in various other ways. It thinks of them as coming forth from stones, from the earth, or from caverns; it regards animals as their ancestors, etc. Even the Greek legend of Deukalion and Pyrrha contains a survival of such an earlier view, combined with the legend of an original ancestral pair. Deukalion and Pyrrha throw stones behind them, from which there springs a new race of men.
The thought of an original family, thus, represents simply a projection of the present-day family into an inaccessible past. Clearly, therefore, it is to be regarded as only an hypothesis or, rather, a fiction. Without the support which it received from the Biblical legend, it could scarcely have maintained itself almost down to the present". (Wundt, Wilhelm. Elements of folk psychology. London; New York; George Allen & Unwin; The Macmillan Company. 1915. p.12)
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
No horizonte nu e pobretão do hábito
... o herege fez-se cinzas.
Seus ossos gelam, e a correção é abominada,
porque o Mundo está feliz:
desconexão, rotações perdidas;
geleira estúpida, ah, estúpida!
despreocupada com isto-ou-aquilo:
derrete.
Mas os narizes fedem,
sarcásticos;
Torcidos entre excessos do inodoro;
Apanhados de saberes pernósticos;
Teimando um mundo a seu prazer;
Tribunais de Contas da chatice comungada.
E toda a repetição é aborrecida;
E toda solidariedade só pode ser incompreensão;
E amar é só ter um brinquedo interessantíssimo;
Cujo funcionamento não entendemos de todo.
O mundo não é só descoberta,
um mero palhaço das crianças!
Não finja existir uma nova América:
com que proveito ser Colombo?!
Aqueles chapéus de bico e o escorbuto?!
É simples ser gênio dos sonhos pisados;
Retalhando os últimos sopros de imaginação,
no horizonte nu e pobretão do hábito.
“Of night and light and the half-light,
I would spread the cloths under your feet:
But I, being poor, have only my dreams;
I have spread my dreams under your feet;
Tread softly because you tread on my dreams.”
W.B. Yeats, He Wishes For The Cloths Of Heaven
Seus ossos gelam, e a correção é abominada,
porque o Mundo está feliz:
desconexão, rotações perdidas;
geleira estúpida, ah, estúpida!
despreocupada com isto-ou-aquilo:
derrete.
Mas os narizes fedem,
sarcásticos;
Torcidos entre excessos do inodoro;
Apanhados de saberes pernósticos;
Teimando um mundo a seu prazer;
Tribunais de Contas da chatice comungada.
E toda a repetição é aborrecida;
E toda solidariedade só pode ser incompreensão;
E amar é só ter um brinquedo interessantíssimo;
Cujo funcionamento não entendemos de todo.
O mundo não é só descoberta,
um mero palhaço das crianças!
Não finja existir uma nova América:
com que proveito ser Colombo?!
Aqueles chapéus de bico e o escorbuto?!
É simples ser gênio dos sonhos pisados;
Retalhando os últimos sopros de imaginação,
no horizonte nu e pobretão do hábito.
“Of night and light and the half-light,
I would spread the cloths under your feet:
But I, being poor, have only my dreams;
I have spread my dreams under your feet;
Tread softly because you tread on my dreams.”
W.B. Yeats, He Wishes For The Cloths Of Heaven
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
Parque da Água Branca - uma remodelação discutível
Há tempos não vou ao Parque da Água Branca (Perdizes, São Paulo, SP), mas me disseram que ele está passando por reformas. O rancho de barro, onde costumavam tocar velhos violeiros, está sendo demolido em prol da exploração comercial. A pista de caminhada/corrida está sendo "reconfigurada" e os transtornos das reformas não permitem que ninguém transite ali. Como resultado, a Eiko começou a correr na Av. Sumaré, mais poluída e perigosa para os transeuntes.
O Revelando São Paulo, tradicional evento popular que ocorria no parque, foi banido em 2010 para um espaço longínquo da Zona Norte (o Parque da Água Branca é bem próximo do Metrô Barra Funda, de acesso relativamente fácil para a população). Nesse ritmo, o único parque de Sampa será o Playcenter e as derradeiras praças, as de pedágio.
O Revelando São Paulo, tradicional evento popular que ocorria no parque, foi banido em 2010 para um espaço longínquo da Zona Norte (o Parque da Água Branca é bem próximo do Metrô Barra Funda, de acesso relativamente fácil para a população). Nesse ritmo, o único parque de Sampa será o Playcenter e as derradeiras praças, as de pedágio.
Foto de um dos lagos - Parque da Água Branca
Entristece-me saber que um dos poucos espaços democráticos de Sampa esteja se acabando. Quem é pobre em São Paulo fica sitiado em apês cubiculares, pois não há praticamente nada que se possa fazer gratuitamente (além do que, os custos de transporte para qualquer lugar gratuito já são consideráveis e as filas, enormes).
Bem, eis uma insólita vingança: no link ao final desse post você pode acessar minha análise do orçamento para a criança e o adolescente no Estado de São Paulo, que foi bastante trabalhosa e muito frustrante na sua difusão. Duas revistas acadêmicas não o quiseram publicar: uma por não ser marxista e a outra por atacar o PSDB em época de eleições (argumentos pertinentes: quem critica o PSDB deve ser filiado a algum partido, e quem não tasca meia dúzia de citações de Marx num texto não é marxista, o que já diz muito sobre a inteligência da universidade brasileira, com perdão pela amargura).
Aqui vai: Breve Análise do Orçamento para Crianças e Adolescentes no Estado de São Paulo
Aqui vai: Breve Análise do Orçamento para Crianças e Adolescentes no Estado de São Paulo
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
A bolsa da valentia (sobre o "História Oficial", 1985, Luiz Puenzo)
Não minto: minhas razões para a viagem a Buenos Aires eram, até a semana passada: 1) comprar as Obras Completas do Borges; 2) visitar o túmulo de Borges; 3) gastar dinheiro até o meu cartão de crédito entrar em pane.
Mas creio que vou afogar meus impulsos consumistas com uma viagem de aprendiz. Comecei quando o Edu encontrou ótimas películas dos diretores Juan Jose Campanella e Luiz Puenzo. O primeiro, diretor de "Segredo de seus olhos" e do mais antigo, "Filho da Noiva"; o segundo, diretor da "História Oficial".
Exceto pelo "Filho da Noiva", os demais filmes tratam, entre outros temas, da ditadura (tão parcamente representada em nosso próprio cinema - e que assim permanecerá enquanto a Globo Filmes continuar a coordenar o mercado cinematográfico brasileiro).
Diz-se que os argentinos são os mais orgulhosos latino-americanos, mercê de sua antiga liderança na sudamérica espanhola. Bem, não vou culpá-los por tal: o pão de cada aula de história são as ficções nacionalistas, que provam sua serventia ao talvez contribuir para que os atormentados adolescentes não sucumbam às tentações das janelas ou dos formicidas. Embora, já se viu, certo estivesse Lênin: o nacionalismo era a doença de infância do socialismo.
Em favor de nuestros hermanitos, posso dizer que, entre todos os defeitos disponíveis nas prateleiras da história, a coragem talvez seja o melhor deles (se não me engano, Aristóteles a tempera com a inteligência, o que é bom). Os argentinos escolheram bem o seu defeito. O nosso, a cordial malandragem, é bem pior (mas não se desesperem, decentes compatriotas: ainda temos chances, já que o combustível do Sol só se acaba daqui 5 bilhões de anos e ainda temos Zumbi dos Palmares).
De ditaduras, os hermanos foram quase tão bem servidos como nós, mas a inspiração das Luzes foi bem mais feliz que entre tupiniquins: enquanto pedaços de nossos inconfidentes adornaram os postes de Ouro Preto, a cidade mais importante do Brasil colônia (e vejam, cidade que nunca passou de um acampamento coalhado de igrejas católicas; território de escravos e paisagens terrivelmente explorados); enquanto nem mesmo sabemos os nomes de muitos Heróis, os argentinos idolatram os deles, e construíram uma Buenos Aires que não é um acampamento, mas uma bela e luminosa cidade.
A última ditadura na Argentina durou singelos 7 anos (1976-1983), enquanto a nossa estendeu-se por mais de 20, tendo se encerrado com uma detestável anistia para os torturadores. As recordações dos nossos valentes torturados não valem um reclame do PlimPlim, enquanto as mães da Plaza de Maio desfilam, até hoje, colos ultrajados pela falta de seus rebentos, enxovalhando semanalmente seus milicos.
Parêntesis, para tornar infelizes os felizes: as nossas Forças Armadas continuam no topo do ranking das instituições públicas mais bem avaliadas. Essa eu li na Folha de S. Paulo, mas não me lembro quando.
"História Oficial" (1985) é sobre a descoberta dos horrores que assolaram o território argentino: uma professora de história, Alicia, descobre que sua filha adotiva (Gaby) teve como mãe uma moça torturada e morta nos porões da ditadura. A narrativa retrata a laboriosa passagem da história oficial à história dos vencidos, tão cantada por Benjamin; tão frágil quanto dolorosa, especialmente nas palavras de Sara, a possível abuela de Gaby. Sara é uma das mães da Plaza de Mayo. Comove particularmente ver sua limpa modéstia: sentada na portentosa sala-de-estar da burguesa Alicia, ela descansa no chão o estandarte com a foto de sua filha morta dentro de uma bolsa caprichosamente bordada. Esta é a bolsa da valentia latino-americana: aprendamos com ela antes que o Sol se esfume.
Para ler mais:
http://www.rottentomatoes.com/m/official_story/
Mas creio que vou afogar meus impulsos consumistas com uma viagem de aprendiz. Comecei quando o Edu encontrou ótimas películas dos diretores Juan Jose Campanella e Luiz Puenzo. O primeiro, diretor de "Segredo de seus olhos" e do mais antigo, "Filho da Noiva"; o segundo, diretor da "História Oficial".
Exceto pelo "Filho da Noiva", os demais filmes tratam, entre outros temas, da ditadura (tão parcamente representada em nosso próprio cinema - e que assim permanecerá enquanto a Globo Filmes continuar a coordenar o mercado cinematográfico brasileiro).
Diz-se que os argentinos são os mais orgulhosos latino-americanos, mercê de sua antiga liderança na sudamérica espanhola. Bem, não vou culpá-los por tal: o pão de cada aula de história são as ficções nacionalistas, que provam sua serventia ao talvez contribuir para que os atormentados adolescentes não sucumbam às tentações das janelas ou dos formicidas. Embora, já se viu, certo estivesse Lênin: o nacionalismo era a doença de infância do socialismo.
Em favor de nuestros hermanitos, posso dizer que, entre todos os defeitos disponíveis nas prateleiras da história, a coragem talvez seja o melhor deles (se não me engano, Aristóteles a tempera com a inteligência, o que é bom). Os argentinos escolheram bem o seu defeito. O nosso, a cordial malandragem, é bem pior (mas não se desesperem, decentes compatriotas: ainda temos chances, já que o combustível do Sol só se acaba daqui 5 bilhões de anos e ainda temos Zumbi dos Palmares).
De ditaduras, os hermanos foram quase tão bem servidos como nós, mas a inspiração das Luzes foi bem mais feliz que entre tupiniquins: enquanto pedaços de nossos inconfidentes adornaram os postes de Ouro Preto, a cidade mais importante do Brasil colônia (e vejam, cidade que nunca passou de um acampamento coalhado de igrejas católicas; território de escravos e paisagens terrivelmente explorados); enquanto nem mesmo sabemos os nomes de muitos Heróis, os argentinos idolatram os deles, e construíram uma Buenos Aires que não é um acampamento, mas uma bela e luminosa cidade.
A última ditadura na Argentina durou singelos 7 anos (1976-1983), enquanto a nossa estendeu-se por mais de 20, tendo se encerrado com uma detestável anistia para os torturadores. As recordações dos nossos valentes torturados não valem um reclame do PlimPlim, enquanto as mães da Plaza de Maio desfilam, até hoje, colos ultrajados pela falta de seus rebentos, enxovalhando semanalmente seus milicos.
Parêntesis, para tornar infelizes os felizes: as nossas Forças Armadas continuam no topo do ranking das instituições públicas mais bem avaliadas. Essa eu li na Folha de S. Paulo, mas não me lembro quando.
"História Oficial" (1985) é sobre a descoberta dos horrores que assolaram o território argentino: uma professora de história, Alicia, descobre que sua filha adotiva (Gaby) teve como mãe uma moça torturada e morta nos porões da ditadura. A narrativa retrata a laboriosa passagem da história oficial à história dos vencidos, tão cantada por Benjamin; tão frágil quanto dolorosa, especialmente nas palavras de Sara, a possível abuela de Gaby. Sara é uma das mães da Plaza de Mayo. Comove particularmente ver sua limpa modéstia: sentada na portentosa sala-de-estar da burguesa Alicia, ela descansa no chão o estandarte com a foto de sua filha morta dentro de uma bolsa caprichosamente bordada. Esta é a bolsa da valentia latino-americana: aprendamos com ela antes que o Sol se esfume.
Pôster de divulgação: não se assustem, o filme é bem melhor do que parece aí!
Duas amigas e uma birita
Para ler mais:
http://www.rottentomatoes.com/m/official_story/
domingo, 9 de janeiro de 2011
Terráqueos e andrômedos

Andrômeda, um punhado de estrelas, meteoros e congêneres tão anônimos quanto você
Aqui estão os terráqueos
Dos andrômedos eu não sei:
devem ser gregos
Sem fé, lei nem rei
Chame-os Vinus liberáceos
A acatar evangelhos apócrifos
Orgias de estrelas orelhudas
Trilhares de grandalhões golpistas
E poeirinhas lunáticas
Não venham, abelhudos!
Nesses capacetes de ciclista,
nós somos os E.T.s cabeçudos
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
Das positivas...
Resisti em começar um novo blog.
Ah, meu velho garoto! Filho perdido nas malditas ondas de facebook, twitter e da negligência de meus amigos, quanto eu te pranteio! Experiência essencial, passio
Assinar:
Postagens (Atom)


