domingo, 22 de janeiro de 2012

Cordel: Big Brother Brasil, um Programa Imbecil

BIG BROTHER BRASIL UM PROGRAMA IMBECIL
Autor: ANTONIO BARRETO,
Cordelista natural de Santa Bárbara-BAHIA, residente em Salvador.

 BIG BROTHER BRASIL
UM PROGRAMA IMBECIL
ANTONIO BARRETO
 
Curtir o Pedro Bial
E sentir tanta alegria
É sinal de que você
O mau-gosto aprecia
Dá valor ao que é banal
É preguiçoso mental
E adora baixaria.

 
Há muito tempo não vejo
Um programa tão 'fuleiro'
Produzido pela Globo
Visando Ibope e dinheiro
Que além de alienar
Vai por certo atrofiar
A mente do brasileiro.

 
Me refiro ao brasileiro
Que está em formação
E precisa evoluir
Através da Educação
Mas se torna um refém
Iletrado, 'zé-ninguém'
Um escravo da ilusão.

 
Em frente à televisão
Longe da realidade
Onde a bobagem fervilha
Não sabendo essa gente
Desprovida e inocente
Desta enorme 'armadilha'.

 
Cuidado, Pedro Bial
Chega de esculhambação
Respeite o trabalhador
Dessa sofrida Nação
Deixe de chamar de heróis
Essas girls e esses boys
Que têm cara de bundão.

 
O seu pai e a sua mãe,
Querido Pedro Bial,
São verdadeiros heróis
E merecem nosso aval
Pois tiveram que lutar
Pra manter e te educar
Com esforço especial.

 
Muitos já se sentem mal
Com seu discurso vazio.
Pessoas inteligentes
Se enchem de calafrio
Porque quando você fala
A sua palavra é bala
A ferir o nosso brio.

 
Um país como Brasil
Carente de educação
Precisa de gente grande
Para dar boa lição
Mas você na rede Globo
Faz esse papel de bobo
Enganando a Nação.

 
Respeite, Pedro Bienal
Nosso povo brasileiro
Que acorda de madrugada
E trabalha o dia inteiro
Da muito duro, anda rouco
Paga impostos, ganha pouco:
Povo HERÓI, povo guerreiro.

 
Enquanto a sociedade
Neste momento atual
Se preocupa com a crise
Econômica e social

 
Você precisa entender
Que queremos aprender
Algo sério - não banal.

 
Esse programa da Globo
Vem nos mostrar sem engano
Que tudo que ali ocorre
Parece um zoológico humano
Onde impera a esperteza
A malandragem, a baixeza:
Um cenário sub-humano.

 
A moral e a inteligência
Não são mais valorizadas.
Os "heróis" protagonizam
Um mundo de palhaçadas
Sem critério e sem ética
Em que vaidade e estética
São muito mais que louvadas.

 
Não se vê força poética
Nem projeto educativo.
Um mar de vulgaridade
Já se tornou imperativo.
O que se vê realmente
É um programa deprimente
Sem nenhum objetivo.

 
Talvez haja objetivo
"professor", Pedro Bial
O que vocês tão querendo
É injetar o banal
Deseducando o Brasil
Nesse Big Brother vil
De lavagem cerebral.

 
Isso é um desserviço
Mal exemplo à juventude
Que precisa de esperança
Educação e atitude
Porém a mediocridade
Unida à banalidade
Faz com que ninguém estude.

 
É grande o constrangimento
De pessoas confinadas
Num espaço luxuoso
Curtindo todas baladas:
Corpos "belos" na piscina
A gastar adrenalina:
Nesse mar de palhaçadas.

 
Se a intenção da Globo
É de nos "emburrecer"
Deixando o povo demente
Refém do seu poder:
Pois saiba que a exceção
(Amantes da educação)
Vai contestar a valer.

 
A você, Pedro Bial
Um mercador da ilusão
Junto a poderosa Globo
Que conduz nossa Nação
Eu lhe peço esse favor:
Reflita no seu labor
E escute seu coração.

 
E vocês caros irmãos
Que estão nessa cegueira
Não façam mais ligações
Apoiando essa besteira.
Não deem sua grana à Globo
Isso é papel de bobo:
Fujam dessa baboseira.

 
E quando chegar ao fim
Desse Big Brother vil
Que em nada contribui
Para o povo varonil
Ninguém vai sentir saudade:
Quem lucra é a sociedade
Do nosso querido Brasil.

 
E saiba, caro leitor
Que nós somos os culpados
Porque sai do nosso bolso
Esses milhões desejados
Que são ligações diárias
Bastante desnecessárias
Pra esses desocupados.

 
A loja do BBB
Vendendo só porcaria
Enganando muita gente
Que logo se contagia
Com tanta futilidade
Um mar de vulgaridade
Que nunca terá valia.

 
Chega de vulgaridade
E apelo sexual.
Não somos só futebol,
baixaria e carnaval.
Queremos Educação
E também evolução
No mundo espiritual.

 
Cadê a cidadania
Dos nossos educadores
Dos alunos, dos políticos
Poetas, trabalhadores?
Seremos sempre enganados
e vamos ficar calados
diante de enganadores?

 
Barreto termina assim
Alertando ao Bial:
Reveja logo esse equívoco
Reaja à força do mal.
Eleve o seu coração
Tomando uma decisão
Ou então: siga, animal.

 
FIM
(Divulgado na lista do EBEM: Encontro Brasileiro de Educação e Marxismo)

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Eu queria ser Fernando Pessoa

Dormiria meio bêbado, debruçado sobre uma resma de poemas incompletos. Desacordado sobre certa explosão em que não trabalhei por inteiro, pois os versos do meu abraço forçaram a porta na hora crepuscular em que pensar e não pensar é o mesmo. Acordando lentamente, pareço um outro olhando pelos meus olhos, esbugalhadas búricas de um gajo introspectivo, a pentear comportadamente o bigode porque os cabelos se escondem debaixo do chapelinho. Meus neurônios seriam fiozinhos assustadiços, mirando Campos e Caeiro a palestrar em seus trajes de bourgeouis e de pastor, até que, lentamente, reconhecessem naqueles gestos o melhor de sua bioelétrica. Tanta felicidade só caberia em um coração de criança! Eu me apagando, lentamente, como no livro de Saramago, aquele em que Ricardo Reis sabe que morrerá, pois Pessoa já se foi. 
Se fosse Pessoa, eu teria noivado a jovem Ofélia, e aborrecido ficaria por ouvi-la tratar de vestidos, ou da bursite de tia Zezinha, e planejar filhos. Tal atividade não é para os castos seres que nem mesmo descalçam a botina acompanhados de alguém. Ora, então? Melhores que os filhos sejam talvez os amigos imaginários, pois eles tem vida própria, não nos reviram os bolsos à cata de centavos, nem os pensamentos buscando conselhos impossíveis, torturas quotidianas da carne e do espírito. Pessoa! Ah, se fosse tu, eu desejaria vida social tão intensamente que não toleraria os seres humanos, e com Campos compartilhava o hábito de meio invejar, meio desprezar, a pequena que comia chocolates do outro lado da rua. Não saber comê-los com tanta verdade seria a menor de meus infortúnios, pois meu coração inquieto carregaria toneladas de lírios, lírios e rosas, batendo arrítmico com o ruído do esfregão de Maria, a dona que me limparia o quarto  enquanto o desejo de solidão não sobrepujasse o de asseio. Solteirões como eu, amigos da contemplação, lá estariam, imunes ao tempo, palestrando horas com gostosos bolinhos, sem a atividade mais antissocial do aparelho digestório. E, como acadêmicos sem vaidade, perguntar-se-iam se há niilismo em certo versejar de Caeiro: "O único sentido último das coisas/ É elas não terem sentido nenhum", ou se Campos não teria trocado a rapariga inglesa pelo infinito spleen dos paquetes. E eu, se fosse Pessoa, fitá-los-ia com o encanto de quem se sabe modesto artífice, fresh and blood onde se hospedavam aqueles gigantes, mestre anônimo de títeres extraordinários, feitos para e pelo seu único espectador. Eles iriam rodar o mundo, e eu, qual Penélope, ansiaria pelo reencontro, por colher as estórias novas - não, não, novas não! Histórias novas são carreiras, atropelo, o essencial e o secundário estupidamente espremidos na mesma botija; quero as histórias envelhecidas, aquelas que já sentaram praça nas lembranças do contador, que, pudico e abismado, pode narrá-las em versos enigmáticos, como homem maduro a esconder suas vergonhas e substituir por reticências monótonos pontos finais. Pensando bem, imaginá-los palestrar será ainda melhor, pois diante do menor sinal de contrariedade, ou frase mal amarrada, não os veria em vexame, fá-los-ia trocarem cartas, e sobretudo examinarem-se os poemas, que esses podem ser de dúvida ou desespero, sobriedade e lirismo, e viveríamos - Pessoa, Campos e Caeiro - como se fôssemos um, a humanidade nunca-jamais imaginou trio assim tão bom.  

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Prótese cardíaca

Às vezes precisamos de um coração maior do que aquele com que nascemos. É a utilidade da poesia: ser prótese cardíaca
---
Os intelectuais são seres que sofrem com a cabeça,
e pensam com o coração
---
O chá no copo
Os quilos no corpo
O olho no olho

Amigo sincero:
na mão espalmada,
a flor tatuada

As canoas seguem o rio,
o rio segue oceano
oceano segue oceano

Conhecidos novos:
máscara facial,
de tédio real

Amante antigo
Bitoca frôxa
Orelha rôxa

Opinião socialista:
escorrega dos lábios
do arrivista

(Hai kais que resolveram escorregar de meu baú)

sábado, 26 de novembro de 2011

Blogs dos meus alunos

Olá, pessoal!
Como parte das atividades de Psicologia da Educação II na UFG, dois grupos de meus alunos estão mantendo blogs sobre ensino de ciências, com posts, links e outros materiais.
"Bloco F" é o da Química, http://oblocof.blogspot.com/ e "Dinpa", o das Ciências Biológicas, http://dinpa.blogspot.com/.

sábado, 19 de novembro de 2011

Uma grunge na colônia

Então, estive nesse Congresso. De um ponto de vista antropológico, sempre me interessou essa ordem social composta por professor@s de pós-graduação e seus grupos de pesquisa, alun@s que, como abelhinhas, esvoaçam ao seu redor, ansiando por agradar. Sessões de comunicação com um público variando de 15 a 30 pessoas, grupos rivais bastante territoriais. Certa pessoa da platéia demonstra preferência por autor rival, e ess@s alun@s imediatamente declaram a preferência por seu próprio autor e, tal crianças frente à figura de apego, olham imediatamente para a líder em busca de aprovação.

O fator sobrevivência, em muitos casos, é o que mais pesa. Em áreas de pobre empregabilidade, tornar-se professor universitário é bastante sedutor. Muit@s enfrentam anos de longas viagens, com bolsas ou empregos que @s mantêm nos estritos limites da sobrevivência, chegando a misturar a jornada de chefes de família, trabalhadores e pós-graduandos. E, ainda por cima, são obrigados a inserir os nomes de seus orientadores em pesquisas nas quais eles não contribuem.

Muit@s orientador@s não tomam conhecimento desse cotidiano dos pós-graduandos, sequios@s por multiplicar seu poder de estilo colonial, tão longe da democracia quanto a USP está hoje - a principal universidade brasileira ´está vergonhosamente escorchada pelo seu próprio reitor, forte indício de como nosso Estado, e consequentemente, a produção de conhecimento, organiza-se.

Nesse Congresso, chamou-me a atenção o tom de voz áspero e grosseiro de uma orientadora em particular, sua ansiedade por satisfazer os pesquisadores estrangeiros e demonstrar seu domínio intelectual sobre um pequeno grupo de orientandos que variava da vulnerabilidade a uma silenciosa resignação. No cúmulo da loucura, tem-se uma preocupação obsessiva com a ortofonia e a ortoteoria: como se pronuncia tal nome? O que tal autor realmente quis dizer? E que tem lá seu fundamento, pois se faz em um contexto no qual - cientes do fato de que são poucos os que dominam idiomas herméticos (como russo e alemão) - muitos intérpretes alteram o pensamento dos mestres estrangeiros a seu bel-prazer. Malefícios da Universidade pensada fundamentalmente como local de tradução e interpretação, na qual os recursos para pesquisa são invariavelmente escassos.

Essa coisa toda é meio colonialista e me chama a atenção para o fato de que o tamanho dos grupos varia proporcionalmente à simpatia do orientador, e os indivíduos realmente sociáveis e humanos constituem grupos amplos, plateias que acabam devotando-lhes verdadeira adoração, elemento que ocasionalmente serve a quebrar os muros Universidade-sociedade e servir a boas causas.

Mas, falando no geral, ess@s orientador@s, restritos ao seguro ambiente acadêmico, marcam-se por uma notável falta de realismo. Ressalto o momento no qual estava em pé dentro do ônibus que levaria os congressistas para o centro da cidade, quando entra uma figura importante da psicologia nacional - a qual não me conhecia - entra e diz, com um tom de quem há muito tempo não ouve uma frase negativa: "vão indo!".

Mas não dava. A Universidade brasileira é mesmo um busão lotado, mas com ar condicionado.
---
Intelectualmente, vejo problemas nessa organização. Lembro-me de um Manifesto do Miguel Nicolelis, em que ele critica a hierarquização da universidade brasileira, comentando que no exterior você tem o dever de defender teses originais e criar conceitos. Pensar de modo criativo demanda cooperação e liberdade. O amor às hierarquias acabou gerando certa estagnação na produção intelectual, pois os grupos preocupam-se muito mais em não ofender mutuamente seus orientadores, que por sua vez preocupam-se em ser nutridos por seus contatos internacionais e em não romper (ou não azedar por completo) as alianças com grupos nacionais.

Também eu, é claro, carrego em minha consciência nossa história de colonização. Mas tive a boa sorte de que minha primeira camada 'metropolina' tenha sido feita de Nirvana, gestada nos terríveis subúrbios de Aberdeen e não nas fulgurantes luzes de New York. E quando me lembro daquele pequeno grupo da orientadora de tom áspero, se me evoca esse grande clássico de Kurt Cobain, desejando mais do que nunca ter tido a chance de me acabar em uma plateia grunge, perante o meu verdadeiro ídolo de adolescência tardia. Quiçá possa alcançar a integridade, a verve e o amor pela verdade que muitos nunca lhe reconheceram, confundidos pelos caracteres acidentais da heroína e do suicídio:


Nirvana, Serve the servants, MTV [Live]

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Relatório da pesquisa: "Breve análise de orçamento para crianças e adolescentes no Estado de São Paulo"

"1.    Introdução

A LDO 2008, Art. 2, estabelece como metas e prioridades da ação estatal a “I - redução das desigualdades sociais e melhoria da qualidade de vida da população; II - geração de emprego e renda e preservação dos recursos naturais; III - garantia da segurança pública e promoção dos direitos humanos.” (ESTADO DE SÃO PAULO, 2007a, p.5).
Mas será que essas resoluções têm sido realmente cumpridas? Podemos começar um esboço de resposta a esta indagação pela análise do orçamento estadual dirigido à criança e ao adolescente. E pensar nele como um importante termômetro das políticas de promoção da igualdade e justiça social no Estado...  
O orçamento dos Estados é regulado por três leis: PPA (Plano Plurianual – de 4 anos, atualmente: 2008-2011); LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias – Anual) e LOA (Lei Orçamentária Anual, que integra os outros dois documentos, PPA e LDO). Este texto visa a analisar o principal dispositivo orçamentário, cujo papel é integrar e detalhar os outros dois, completando o ciclo orçamentário: a LOA/2008, publicada em dezembro de 2007 (Estado de São Paulo, 2007b). A lei é de importância visceral, embora sua análise conte com uma bibliografia, mesmo eletrônica, surpreendentemente escassa." 


Para conferir o relatório completo desta pesquisa, realizada entre 2008-2009, clique aqui.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Contra a criminalização do movimento estudantil!

Assine a petição: Contra a ocupação militar no campus da USP.

Caros alunos e colegas da UFG:
O que ocorreu essa madrugada na USP foi um terrível ato de barbárie: a PM não tem que estar no campus, e o convênio reitoria-PM expressa bastante bem a completa falta de democracia existente na USP desde a ditadura. O reitor Rodas não foi eleito pela maioria da comunidade universitária, não gozando de nenhuma legitimidade política para suas ações. Com que, então, a PM entrou para "proteger" a todos e, de repente, prende 70 estudantes? Observadores no interior da universidade percebem que havia lá uma busca ativa por usuários de maconha, coisa que a PM paulista não faz em lugar algum. Esse convênio é um ato político de repressão, e não uma ação de segurança.
Estudei na USP na graduação e doutorado, visitei a ocupação de 2007 e fiquei comovida ao constatar o cuidado com que os alunos zelaram pelo bem público, bem como sua coragem de resistir por mais de um mês.
A agressão perpetrada pela PM é um ato que fere não só a comunidade USP, mas também todo o movimento estudantil e, por extensão, outros movimentos sociais - já tão duramente golpeados nos últimos tempos. É hora de desencadear manifestações de apoio aos estudantes da USP e mostrar que estamos mais vivos do que pensa o stablishment.
Gostaria de recomendar a vocês visita às páginas: http://www.facebook.com/DCEdaUSP e http://www.adusp.org.br/# , http://ler-qi.org/,  pois, pesquisando na internet, fiquei profundamente impressionada com a tendenciosidade dessa imprensa que aí está. Não nos deixemos enganar, protestemos!

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Lançamento de meu livro: 6º Congresso de Psicologia UFG/ VIII CBPD

O lançamento ocorrerá nos eventos: 

VI Congresso de Psicologia da UFG: 03/11, às 19h00, Faculdade de Educação, Goiânia, GO. 

VIII Congresso Brasileiro de Psicologia do Desenvolvimento, Brasília,  14/11 (às 20h00) - no Saguão das Livrarias.

Conto com a presença dos amigos, colegas, alunos, ex-alunos e toda a população mundial que não se enquadre nas categorias anteriores.
Abraço,
Gisele

---
SINOPSE DO LIVRO

Acaba de sair de gráfica mais um lançamento da Papirus Editora: Emoções e vivências em Vigotski, de Gisele Toassa.

Emoções e vivências em Vigotski

-------------------------------------------

Desde a década de 1950 as produções do bielorrusso Lev Semionovich Vigotski (1896-1934) vêm se tornando conhecidas no debate sobre pensamento, linguagem, desenvolvimento e aprendizagem escolar. Mais recentemente viu-se crescer também o interesse por outras dimensões de sua psicologia, como o estudo das emoções e vivências humanas, conceitos explorados aqui como partes da formação da personalidade e da consciência.

Filosofia, psicologia do desenvolvimento, psicologia da arte e neurociências são alguns dos campos de pesquisa abordados, por meio de reflexões sobre a obra do autor - desde A tragédia de Hamlet, príncipe da Dinamarca, seu primeiro livro, até Pensamento e linguagem, publicado no ano de sua morte.

Buscando respeitar a diversidade e a riqueza da concepção de Vigostski, este livro será de interesse a psicólogos, educadores, artistas, linguistas e outros simpatizantes do legado desse autor.

-------------------------------------------
288 pp.
R$ 59,90
 
Abraço, 
Gisele
---
"Nada estimo mais, entre todas as coisas que não estão em meu poder, do que adquirir aliança de amizade com homens que amem sinceramente a verdade" (Espinosa)

sábado, 8 de outubro de 2011

domingo, 2 de outubro de 2011

Um fascista consequente? Sobre "Tropa de Elite II"

Obs1: se você não tiver visto o filme, não leia esse post.
Obs2: é sério.
---
Assisti ao Tropa de Elite II (um ano depois de todo mundo, seus novidadeiros escravizados!) e senti um gosto-desgosto parecido com o do Tropa de Elite I. Um aluno me abriu os olhos para o aspecto blockbuster do filme - aquele hip rock da trilha sonora, enquanto Nascimento atravessa os pavilhões de Bangu I, certamente era dispensável. Fora as fotos tétricas, que mais te lembram uma porcaria qualquer do Schwarzenegger. Nada mais tosco; e o Padilha bem que poderia ter tido um pouco mais de cautela com a fácil leitura reacionária do filme. Mas ainda penso que a película é mais arte que indústria cultural, na proporção de 70 para 30%.

Por enquanto, vou morar no meu gosto-desgosto sem esperar resolvê-lo, enquanto tratar do filme como obra de arte. É claro, como tese sociológica, a coisa muda e falarei disso mais adiante. Lembra um pouco o Orwell, só que menos inteligente (ou livre). Cumprimentos ao diretor José Padilha: somente o equivalente cinematográfico de um Baruch de Espinosa ou Antonio Gramsci, para meter a colher em um tema desses.
Minha simpatia pelo Capitão Nascimento - promovido a coronel - não aumentou. Torci por ele, de fato,  pois o enredo te leva a isso, mas encaro com frieza esse mote americanófilo do herói-pistoleiro-solitário, a versão moderna de Kant, o homem que se entrega completamente ao cumprimento de seu dever. Continuo a identificar no Nascimento o que o Lênin, se vivo estivesse, talvez chamasse de "um fascista consequente", se é que dois adjetivos tão incongruentes podem coexistir em uma única frase sem ulcerar as pupilas de quem lê.
Entre atos: a gramática é amoral.

Meu pacifismo se apazigua ao perceber que Nascimento perdeu a mulher para um defensor dos direitos humanos, que deixa o enteado ver programas anti-Nascimento. Workaholic, este protagonista não tem sequer um cãozinho a esperá-lo em casa. Em seu terno preto e expressão fechada, envelhece em uma ostra; e, mesmo parecendo não se lamentar por isso, dá poucos sinais de alegria ao longo do filme. Parece viver em uma espécie de anestesia administrada pelo cumprimento do dever, trazendo um rosto que oscila entre as paixões tristes e a inexpressividade treinada dos que cumprem ordens sem dar opinião. Ao fim e ao cabo, meio desiludido, desesperançado, mas ainda aferrado à doutrina. Efeitos cumulativos de tanta violência? O Tropa de Elite I é sua jornada em busca de um substituto, mas ele não o consegue, por quê? Não temos explicações.

Para Nascimento, o homicídio é secundário. O centro de sua existência é a obsessão com um ideal, o das qualidades militares. Ele acredita na Corporação (o Bope) como todo fascista acreditava no corpo social da Pátria de Mussolini. Acredita no amigo, o André Matias, como homem obediente, que combina força e decência, espelho das qualidades do seu mestre. O ideal não é criativo, mas funciona: um dia depois do outro, protege milhares de zelosos agentes da lei das dúvidas aflitivas, que prejudicariam seu ganha-pão. Nesse meio social, o excesso de palavrões parece encobrir uma certa escassez de criatividade, de idéias, de entendimento mais complexo do mundo em que vivem. Não sei.

Vai ver que ele só me desperta certa compaixão justamente porque, no fundo, acredita naquilo que é tão difícil de fazer meus alunos desconfiarem, porque tem mil e uma utilidades: o mito da ordem e da disciplina, fundador da República brasileira. Se essa Musa dos incautos tiver despida a túnica desse mito, revela-se tão injusta, cínica, excludente, que muitos de nós talvez se revoltassem ou se deprimissem, ou coisa pior. Mas Nascimento não é bobo. Demora, mas ele percebe que não adianta matar e espancar, porque a natureza humana é anarquista, desdenha do Estado, da ordem, acumula tolos desejos de riqueza e vingança, e ele é impotente para generalizar seu modelo espartano de vida. A milícias do Tropa de Elite formam um pseudo-anarquismo parasitário do Estado, feito por homens acima de suspeita que nos fazem sentir saudades dos traficantes do Tropa I. E Nascimento também se pergunta, ao fim: por que matei tanto? Para dar nisso aí?
A morte do amigo e colega de BOPE é realmente um golpe em seu rígido senso de responsabilidade para com os subordinados, em sua ilusão na capacidade de protegê-los, e outras qualidades necessárias para sobrevivência do ofício. Esse herói deve ter agradado menos a média do público que o do Tropa I; agora ele se tornou mais complexo. No fim do filme, percebemos que o sentido psicológico de sua missão, a convicção de que o BOPE "sanitizará" o Rio com a soda cáustica da ordem e da disciplina, arruína-se por completo. Frente ao teste de realidade, Nascimento alcança uma compreensão mais profunda do funcionamento do "sistema".
---
E agora, analiso o filme como tese sociológica. Um pouco de Gandhi, Tolstói, Thoreau e da contracultura já apontaria a inefetividade de se recorrer a meios violentos para criar uma sociedade não-violenta. Não somos computadores com botão de deletar - "aí, cidadãos, esqueçam a maldade do BOPE e tenham uma vida feliz!".
No fundo, não é mesmo o apaziguamento que está em causa. O filme consegue criticar bastante bem a tese simplista de que basta aniquilar os traficantes e a favela será um local bacana - e esse recado fica claro mesmo para os espectadores mais ingênuos. Ora, a violência na favela insere-se em um sistema. E no fim, Padilha volta suas lentes para o lugar onde os piores bandidos se concentram, i.e., Brasília.

Que tal, então, extinguir Brasília, já que é o verdadeiro centro da corrupção e da violência? Talvez pense assim o espectador ingênuo. E o filme anda em círculos, não chega a uma análise mais profunda do Estado, do narcotráfico (dificilmente o faria com a rede de patrocinadores que tem); não analisa o potencial impacto da descriminalização das drogas, não analisa o processo pelo qual um menino se torna traficante (o próprio MV Bill foi muito mais longe nesse ponto), traumatizado, violentado e sem alternativas para ganhar o seu pão. Somente um ingênuo poderia acreditar que o Estado brasileiro, com seu imenso poder econômico, não seria capaz de derrotar bandos de homens com armas do Exército, mas sem treinamento militar e comando central. Sim, parceiros, o BOPE tomou os morros, e daí? O abstrato "sistema" é capitalista, e aí entra outro ponto que me incomodou profundamente - ao se manter a guerra no nível do círculo tráfico-milícia-Estado, a fonte primeira de nossa organização social, o Grande Capital, escapou incólume. E é dele que vêm as armas, os vícios, o darwinismo social a que nos acostumamos quase como segunda pele.

Ora, vamos. Ninguém estranhou o patrocínio do filme pela Claro? Meus parabéns por abrir os olhos dos ingênuos, Padilha, mas sua frágil noção de sistema deixou de lado o elo principal da corrente, esse, que os moradores de tantos cortiços do mundo enfrentam todos os dias, a fonte primária da violência do Estado. O BOPE, mais do que resgatar sua população para direitos historicamente negados, é uma máquina de guerra para o grande capital acessar a favela sem ter de pagar propina para um lado ou outro.

E soltar esse filme meses antes da história da ocupação das favelas e instauração das UPPs?! Pode ser coincidência, mas...

Facebook

Total de visualizações de página